Trabalhista · Publicado em 2026-08-08

Isenção de IR até R$ 5.000 em 2026: Como Funciona a Nova Regra

A partir de janeiro de 2026, entrou em vigor a maior mudança no Imposto de Renda das últimas décadas: a Lei 15.270/2025, que isenta completamente do IR quem recebe até R$ 5.000 por mês. Milhões de brasileiros deixaram de pagar imposto — mas as regras têm detalhes que geram muitas dúvidas. Este artigo explica tudo: quem tem direito, como funciona a faixa de transição, e quanto isso representa no seu bolso.

O que mudou exatamente

Antes da nova lei, a faixa de isenção do IRRF era de aproximadamente R$ 2.259 mensais. Qualquer rendimento acima disso já sofria retenção na fonte, começando em 7,5% e chegando a 27,5% nas faixas maiores.

Com a Lei 15.270/2025, três regras passaram a valer a partir de 2026:

Rendimento até R$ 5.000/mês: isenção total. Zero de imposto retido na fonte.

Rendimento entre R$ 5.000 e R$ 7.350/mês: redução parcial do imposto, calculada por uma fórmula decrescente — quanto mais perto de R$ 7.350, menor o benefício.

Rendimento acima de R$ 7.350/mês: tabela progressiva tradicional, sem redução.

Quanto você economiza na prática

Para visualizar o impacto, vamos comparar o IRRF antes e depois da lei para alguns salários (considerando trabalhador sem dependentes, já descontado o INSS):

Salário de R$ 3.000: antes pagava em torno de R$ 20-40 mensais dependendo do ano. Agora: R$ 0. Economia anual: até R$ 500.

Salário de R$ 4.000: antes pagava cerca de R$ 130-160 mensais. Agora: R$ 0. Economia anual: quase R$ 2.000.

Salário de R$ 5.000: antes pagava cerca de R$ 300-350 mensais. Agora: R$ 0. Economia anual: acima de R$ 4.000.

Salário de R$ 6.000: paga imposto reduzido pela regra de transição — menos que antes, mas não zero.

Salário de R$ 8.000: sem mudança — tabela progressiva integral.

Como funciona a faixa de transição (R$ 5.000 a R$ 7.350)

Para evitar o "penhasco" — situação em que ganhar R$ 1 a mais faria a pessoa perder toda a isenção e pagar muito mais imposto — a lei criou uma zona de transição com redução parcial decrescente.

A lógica: em R$ 5.000,01, o desconto do imposto é quase total. Conforme o rendimento sobe em direção a R$ 7.350, a redução diminui gradualmente, até desaparecer. Assim, ninguém é prejudicado por um pequeno aumento de salário.

A fórmula exata envolve um redutor calculado pela Receita Federal e aplicado sobre o imposto apurado pela tabela tradicional. O cálculo manual é trabalhoso — nossa Calculadora de IRRF aplica a fórmula automaticamente.

A isenção vale para o 13º e as férias?

Sim, com nuances. O 13º salário é tributado separadamente do salário mensal — então um 13º de até R$ 5.000 também fica isento pela nova regra. As férias gozadas somam-se ao salário do mês para fins de tributação, o que pode empurrar o rendimento do mês acima do limite — nesse caso, aplica-se a regra da faixa em que o total cair.

Quem NÃO é beneficiado

A isenção vale para rendimentos do trabalho (salários, pró-labore, aposentadoria). Não muda a tributação de: aluguéis recebidos, ganhos de capital (venda de imóveis, ações), rendimentos de aplicações financeiras, e lucros de atividade empresarial tributados separadamente.

Além disso, quem tem múltiplas fontes de renda precisa atenção: a isenção considera o rendimento por fonte pagadora na retenção mensal, mas o ajuste anual na declaração soma tudo — podendo gerar imposto a pagar se o total ultrapassar os limites anuais.

Impacto na declaração anual

A declaração de ajuste anual (entregue entre março e maio do ano seguinte) continua obrigatória para quem se enquadra nos critérios de obrigatoriedade. A diferença é que, com menos imposto retido na fonte, as restituições tendem a diminuir — afinal, restituição é devolução de imposto pago a mais, e quem não paga não tem o que restituir.

Quem tinha o hábito de contar com a restituição como "13º extra" no meio do ano precisa recalibrar o planejamento financeiro: o dinheiro agora vem mês a mês no salário líquido maior, não concentrado na restituição.

Por que essa mudança aconteceu

A tabela do IR ficou congelada por quase uma década (2015-2023), enquanto a inflação corroía o valor real da faixa de isenção — na prática, um aumento de imposto silencioso que atingia cada vez mais trabalhadores de baixa renda. A correção para R$ 5.000 foi promessa de campanha e recompõe parcialmente as perdas acumuladas, devolvendo poder de compra à base da pirâmide salarial.

Como conferir seu novo salário líquido

Se você ganha até R$ 5.000, seu contracheque de 2026 não deve ter linha de IRRF — apenas INSS e outros descontos contratuais. Para conferir o cálculo completo (INSS por faixas + isenção de IR), use nossa Calculadora de Salário Líquido 2026, que aplica as duas tabelas na ordem correta e mostra exatamente quanto deve cair na sua conta.

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